terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Amor e Amor-Próprio

"Só há um tipo de amor que supera tudo: o amor-próprio". Esta frase é repleta de significado. Mais do que dizer que a auto-estima é fundamental para que possamos ultrapassar os obstáculos que se nos deparam ao longo das nossas vidas, também nos elucida sobre o verdadeiro sentido do amor. O amor-próprio é o único que é verdadeiramente forte, independente e auto-suficiente, como uma construção de bases sólidas que facilmente suporta as intempéries e continua de pé, passível de ser aumentada e albergar hospedes nas suas divisões. Mais que um amor egoísta e egocêntrico, o amor-próprio é como uma chama que ao arder aquece também aqueles que estão próximos. É impossível pois, aquecer (amar) os outros, se a chama não estiver fortemente acesa em nós próprios (se não nos amarmos a nós próprios).
A sociedade em que vivemos incute-nos a ideia do amor omo algo que apenas faz sentido quando vivido a dois. Desde a literatura ao cinema até aos nossos pais e amigos e ao vizinho do lado, sempre nos foi passada a mensagem de que a felicidade passava pelo encontro da alma-gêmea, o ser que nos completa, porque somos uma metade procurando a outra metade: o amor assentava numa procura permanente seguida de consequente insatisfação e frustração, pois não se pode fazer depender de ninguém nem de nada a nossa felicidade, mas apenas de nós mesmos. A palavra dependência só por si gera infelicidade. Baseado neste conceito de amor com que convivemos durante toda a nossa vida, a moioria de nós nunca o buscou no lugar mais óbvio e apropriado: dentro de si mesmo.
Quando nos amamos a nós próprios encontramos verdadeiramente a liberdade, porque estamos livres da dependência. Não procuramos porque já encontramos, já não sentimos nenhum vazio dentro de nós o qual ansiamos por preencher. A vida torna-se assim menos pesada, pois há um fardo enorme que deixamos de suportar. Não devemos querer carregar outrém com a responsabilidade de perfazer a nossa unidade (que julgamos ficar completa apenas com duas metades, duas pessoas). Não temos sequer esse direito.
Quando enfim livres encontramos alguém a quem amar, amamo-lo de forma diferente, de forma plena, porque não temos nada para lhe exigir, mas somente algo para lhe dar. Não esperamos que nos preencha, que nos complete, mas apenas desfrutamos do prazer desse amor. Desta forma o que recebemos também nos parece mais, porque não está a ser pedido, e na medida em que nos sentimos bem com nós próprios também estamos em condições de dar mais. As relações assentam em bases mais saudáveis e sólidas.
Pedir ao outro que nos ame em substituição de nós próprios é transferir responsabilidades. Geralmente fazemo-lo inconscientemente, sem sequer perguntar, sem obter aprovação do outro lado. Trata-se claramente de uma injustiça, mas claro que estas não chegam às barras dos tribunais. Contudo sabemos que aquilo que não é equilibrado tende para o equilíbrio e as construções que não assentam em bases sólidas facilmente se desmoronam.
Actualmente a sociedade está a mudar um pouco a sua visão do conceito de amor. Mas a avaliar por aquilo que vemos à nossa volta, ainda nem sequer estamos preparados para nos aceitarmos como somos. Somos bombardeados com falsos exemplos de felicidade, baseados em padrões impossíveis de alcançar pela maioria dos mortais, assentes no consumismo e no materialismo, somos impelidos a esquecer os valores mais intrínsecos da vida humana. Não nos amamos porque amamos o ideal que queremos atingir, quando o importante é o presente e o que realmente somos, quer corresponda ou não a esse ideal; procuramos o amor no outro porque acreditamos que somos metades à procura da outra metade que completa um todo quando na verdade somos um ser inteiro por definição. E assim vamos perdendo o nosso tempo e gastando a nossa energia sem nunca encontrar a verdadeira felicidade...

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

De que temos realmente medo?


Um dos testes que é feito a um recém-nascido para avaliar se se trata de uma criança normal é pegar nela e simular a queda. Se ele se assustar, é porque o é, se não mostrar reacção é porque tem algum problema. Isto quer dizer que o medo é biológico e já nasce connosco. Fomos programados para reagir perante o perigo, como qualquer animal de forma a preservarmos a nossa integridade física. Porém, enquanto seres humanos, vemos os perigos de uma forma muito mais abrangente, ou seja, não nos limitamos a ter medo daquilo que realmente nos ameaça no momento, mas conseguimos prever aquilo que contribui para a concretização desse perigo ou antever o momento em que determinado acontecimento tem probabilidades de ocorrer. Por vezes o nosso medo nada tem a ver com algo de real mas com meras probabilidades. Por exemplo, porque não tememos um assalto apenas quando alguém nos aponta uma arma e nos pede para lhe entregarmos a carteira, mas sim sempre que saímos à noite para zonas escuras e perigosas? Porque sabemos que é provável que aconteçam assaltos nessas horas nesses locais. Se não sairmos de casa não seremos assaltados nessas zonas. Mas então, e se ocorrer um sismo e a casa desabar? Deveremos ter medo de estar em casa também? O nosso medo está proporcionalmente relacionado com a probabilidade da ocorrência de determinado factor que fará perigar a nossa existência ou bem estar físico ou emocional. Isto, é o que geralmente acontece com a maioria das pessoas e pode considerar-se um medo saudável.

Temos medo porque somos perecíveis, porque sentimos dor. Por mais fundo que escavemos na causa última do porquê dos nossos medos, encontramos sempre a nossa existência terrena e a sua ameaça como pano de fundo. O medo é como o travão de um carro, ao lado do acelerador enquanto conduzimos a vida. Seria disparatado - impossível até - imaginar (pelo menos para já) um carro sem travão ou algo que o substitua, da mesma forma que uma viagem numa vida sem medo levaria a despistes ou acidentes graves em que se poderia sair muito magoado.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Obsessão: Egocentrismo ou Doença?


Ser um pouco egocêntrico é normal, ser nada ou demasiado já não o é. Uma pessoa que centra toda a sua atenção nos outros e no que o rodeia e se esquece de si próprio não se pode dizer que seja altruísta, mas sim que possui uma tão baixa dose de auto-estima que tudo parece ser mais importante que ela. Mas, e quando o contrário acontece? Todos nós conhecemos aquela pessoa que só pensa nela própria, vive virada para o seu umbigo. Geralmente não gostamos muito delas. Achamo-las antipáticas, egoístas e incapazes de pensar nos outros. Mas, e do ponto de vista delas?

Há que distintinguir entre aqueles que se sentem bem assim, que se acham superiores aos demais. Mas há também aqueles que são apenas prisioneiros deles próprios. Não se acham superiores a ninguém, bem pelo contrário, nem a sua auto-estima é elevada, aliás, é baixíssima. Porém o seu pensamento está virado para eles próprios de uma forma exagerada, doentia. São OBSESSIVOS. Uma pessoa obsecada com o seu corpo, com os seus próprios problemas, com a sua saúde, não vê mais nada. O resto do mundo perdeu importância ao passo que o seu universo se alargou de tal forma que atingiu dimensões desproporcionais. Este universo pessoal não difere muito do universo de milhares de outros seres humanos à face da Terra. Contudo, o que faz a diferença é a forma como o obsessivo olha para ele. Ele vê-o desajustado, aumentado, porque todos os pormenores são analisados vezes sem conta e interpretados por vezes de forma irreal. Ele sabe no fundo que tem um problema, mas não consegue parar. O seu cérebro é assombrado por ideias repetitivas, constantes e cíclicas sobre algo em que nem sequer quer pensar. Isso fá-lo sofrer, não só porque essas ideias o fazem agir e as consequências dessas acções nem sempre são as mais agradáveis mas porque não se consegue libertar delas. É como se fossem impostas, viessem de fora, não fossem geradas dentro da sua própria cabeça.

Viver com uma ideia a ciclar dentro da nossa cabeça a intervalos tão curtos que por vezes mal nos deixa respirar, é impossível deixar espaço ou tempo para que outras ideias possam surgir. Para que possamos "parar e cheirar as flores", como dizia Walter Hagen, para nos apercebermos do mundo que gira à nossa volta, para ver que há pessoas que são iguais a nós e que têm o mesmo corpo, os mesmos problemas, que também choram, também riem. Esquecemos que o resto existe porque nos centramos na única coisa que nos é possível: no som do martelo que bate com força nas grades do nosso cérebro e ecoa tão alto que nos impede de ouvir seja o que for.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Dependências afectivas e emocionais


Viver uma vida inteira dentro de uma nuvem negra, além de nos impedir de desenvolver a nossa inteligência emocional, leva-nos a criar dependências. Não me refiro apenas a químicos, como o caso de medicamentos antidepressivos e outros ou estupefacientes, mas sim dependências emocionais e afectivas. Estas últimas surgem como forma de compensar o enorme sofrimento causado pelo imenso desgaste que é o confronto diário com a vida. Procura-se carinho, compreensão, alguém que cuide de nós. Não importa o preço que paguemos por isso. Por vezes o que recebemos são apenas migalhas, mas achamos que isso é melhor que nada e temos medo de arriscar algo melhor. O medo de perdermos o que temos supera a humilhação, o desespero supera o desejo. Outras vezes temos sorte e encontramos nas pessoas que nos estão próximas tudo o que necessitamos. Tudo, ou melhor, tudo o que é possível, porque é imenso o que necessitamos e ninguém consegue realmente satisfazer na íntegra essa necessidade. Em ambos os casos não deixamos de estar dependentes. Não saímos de casa dos pais, não terminamos uma relação que não está a dar certo, não nos afastamos daquele amigo que apenas nos vê como financiador dos seus projectos, etc. Ou não. Ou nem sequer somos capazes de ver que vivemos uma farsa e que o nosso estado de felicidade é arquitectado pela nossa mente e não é real. Porque manipulamos os nossos próprios valores em função da nossa dependência de forma a que o seu objecto nunca nos falte.

Mas o que acontece quando esse objecto nos falta um dia? Ninguém é eterno e muito menos está sempre disponível. A dependência passou a ser uma componente das nossas vidas como outra coisa qualquer. Quando o seu objecto desaparece fica um buraco, um vazio apto a capturar tudo o que está solto para se preencher. A ausência de algo em que concentrar a procura de apoio afectivo e emocional deixa-nos desesperados e, perante tal cenário cometem-se erros. Cai-se nas teias de curandeiros, seitas, de pessoas que oferecem milagres a troco de dinheiro ou favores; criam-se relações das quais saímos abusados, tentamos soluções fáceis para a angústia momentânea (droga, cutting, bulimia, etc). Ou tapamos esse buraco com outras dependências ou enfrentamos o vazio: o medo, a ansiedade, o desespero. É neste contexto que por vezes surgem as fobias, os ataques de pânico e outros transtornos.

Temos escolha? Será que todas as pessoas que viveram muito tempo na nuvem negra criaram dependências e se vêm confrontadas com estas situações em alguma altura das suas vidas? Algumas pessoas têm personalidades mais fortes que outras. Mas no fundo essas também não se deixam estar muito tempo dentro da nuvem.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Nuvem negra que não vai embora...

Por vezes a depressão não é apenas um episódio das nossas vidas para passar a ser a nossa vida. Todo o nosso quotidiano gira à volta dela, quer vivendo mergulhados nela, quer tentando evita-la. Ela passa a ser a nuvem negra que nos envolve ou que paira sobre nós a todo o instante e sentimo-nos incapazes de fugir porque ela nos persegue, pois nos pertence, é como um cão fiel que segue as pisadas do dono e mesmo que este o enxote volta a acompanha-lo na sua caminhada e aninha-se a seu lado na cama.


Ver o mundo através de uma densa nuvem cinzenta é perder a capacidade de ver a cores, é viver permanentemente na sombra. O Sol brilha algures lá no alto, ilumina tudo ao nosso redor, mas a nós não. E, habituados que estamos a viver na penumbra, se um raio de sol penetra na nossa nuvem, fere os nossos olhos, cega-nos de tal maneira que somos da mesma forma incapazes de ver as cores. Como dissipar então esta nuvem e deixar entrar o sol sem que os nossos olhos sejam afectados, de forma a conseguirmos ver o mundo da mesma forma que os outros o vêm? Ou seja, a cores?


A resposta a esta questão nada tem a ver com oftalmologia. O indivíduo dentro da nuvem sofre, vive mal, quase a chegar ao fim dos seus proprios limites. Mas de alguma forma aprendeu a criar mecanismos de sobrevivência. Dia após dia enfrenta guerras desmedidas com a própria vida, viver dói e é uma dor insuportável, respirar dói mas a biologia obriga à inalação de ar. A adaptação não foi fácil, levou meses, por vezes anos. Mas a maioria das pessoas que vive nestas condições está habituada a sofrer de muitas formas, provavelmente desde a infância. Nunca tiveram uma vida fácil. Sempre foram vítimas, nunca tiveram força psicológica suficiente para superar as enfermidades de que foram alvo. O único terreno que conhecem é o que pisam, o único ar que os seus pulmões respiraram é o que respiram. Por mais que lhes digam que o Paraíso é muito agradável, como podem acreditar? Alguns deles já experimentaram mil paraísos e voltaram à nuvem ao fim de tão pouco tempo, outros foram ao paraíso e não se adaptaram, enlouqueceram por lá. O paraíso para eles não passa de um conto de fadas que não deve passar disso mesmo. De um conto de fadas que se conta às crianças antes de adormecer.


"Eu quero tirar a Joana da nuvem e integra-la na vida normal. Quero que ela tenha um emprego normal, um namorado, um grupo de amigos, uma casa". Ouvi esta expressão de um psiquiatra uma vez. A Joana vivia em quartos alugados, não tinha mais que uma mala de roupa que não tinha qualquer prazer em renovar, vivia de biscates pois não conseguia manter um emprego por mais de um mês e não conseguia manter uma relação de amizade quanto mais um namorado. Parecia uma missão impossível. Este médico interveio com Joana da seguinte forma: procurou uma voluntária entre as suas ex-pacientes e encontrou uma (Simone) que se dispôs a oferecer a Joana a sua amizade. O facto de se tratar de uma pessoa extrovertida e com muitos amigos poderia auxiliar a jovem a encontrar um namorado e além do mais os conhecimentos que tinha a nível profissional poderiam possibilitar uma integração a esse nível. Com um aumento do montante do salário poderia depois encontrar um apartamento e deixar assim de viver em quartos alugados.


Este encontro entre as duas chegou a realizar-se, e Simone convidou Joana para ir a sua casa sempre que quisesse, apresentou-lhe os seus amigos e falou com um conhecido que lhe arranjou um estágio profissional. Porém, aquilo que parecia ser um dissipar da nuvem negra em que Joana estava imersa não deu qualquer resultado. O apoio de Simone foi excelente, mas cada passo no sentido da luz era para a outra tão difícil e tremido que a sociedade não estava preparada para tal. O patrão dispensou-a porque ela era insegura, os seus novos amigos nunca lhe telefonaram pois não foram cativados por alguém que, comentaram mais tarde, "não sabia sorrir" e um simpático e atraente rapaz que ficou cativado pela sua beleza, não conseguia ela ver nele nada de especial. Não importava que tudo mudasse ao redor de Joana, porque ela não conseguia sair de dentro da sua nuvem. Não sabia lidar com cores, nem sequer o nome delas. Há pois um longo processo de transformação/aprendizagem que tem que ocorrer ainda dentro da nuvem antes que a pessoa esteja apta a saltar cá para fora, caso contrário será fracasso atrás de fracasso e isso só contribui para que ela deseje voltar lá para dentro e não sair jamais. Se a pessoa sair sem estar preparada, cá fora não vai ter tolerância nem ajuda de ninguém. Dar os primeiros passos é tão difícil como pôr um bebé a caminhar lado a lado com uma multidão apressada. Ou é espezinhado ou fica para trás.


É por isso que quem está na nuvem permanece por vezes lá por muito tempo. A par disso, também conta um outro factor muito importante: o medo. Ter medo do desconhecido, medo da mudança. Por vezes temos medo de sentir novas emoções, mesmo que se trate das positivas. Somos cobardes demais para dar saltos no escuro, nem que sejam apenas saltos no ar. Isto acontece com todos nós, mas quando se vive em determinada situação por muito tempo, é mais difícil sair dela. Só o simples falto de pensar nisso gera ansiedade de tal forma intensa que para a apaziguar simplesmente eliminamos essa hipótese.


domingo, 23 de novembro de 2008

Porque estou sozinho/a e deprimido/a?


"Sábado à noite. Estou sozinha em casa, a casa vazia de vozes, de cores, de odores; a solidão invade todos os espaços, entra-me pela boca, pelas narinas, pelos ouvidos. Tirei o som à televisão, apenas deixei faiscar imagens a preto e branco, cenas fora de contexto de um qualquer programa sem sentido. Para mim não faz sentido passar um Sábado à noite trancada em casa a escrever este blog, não sair para me divertir, não estar acompanhada a "curtir" a noite. Ou FAZ?"
É claro que me sinto triste com a condição em que me encontro neste momento. Mas mais importante que esta situação é o porquê que ela existe. Se não faz sentido, porque não a evitei? Esta é a pergunta que muita gente fará a si própria e por vezes não consegue encontrar resposta. Uma das consequências da depressão é a tendência para o isolamento por factores tão diversos como a baixa auto-estima ou a falta de ânimo. A verdade é que se procura aquilo que é mais fácil e nestas situações por vezes lidar com os "outros" é uma tarefa muito difícil, já não é pera doce termos que lidar com nós próprios. Consciente ou inconscientemente procuramos todos os mecanismos que nos levam a estar sozinhos e os "outros" seguem o seu caminho. Quando nos damos conta eles têm desaparecido, estão ocupados, ou simplesmente já têm outros planos. Para termos algo no presente há que tê-lo preparado no passado, e isso passa-se com tudo na nossa vida. A nossa não disponibilidade para prepararmos o presente que gostaríamos que estivesse a acontecer é que nos colocou nesta situação, apesar de continuamente atribuirmos as culpas à nossa imagem, à nossa timidez, aos outros, ao destino ou simplesmente ao estado da sociedade.
A verdade é que por vezes bastava pouco para que o nosso presente melhorasse. Mas as pessoas deprimidas têm tendência a sonhar com príncipes e princesas encantadas em vez de pessoas de carne e osso e com objectivos e sonhos irrealistas em vez de coisas concretas e realizáveis. Como tal aquilo a que aspiram é-lhes muito mais difícil de alcançar, sentem-se muito mais frustradas por o não conseguirem. Baixar a fasquia é por vezes uma forma de não entrar em depressão, é uma forma de assegurar êxito nas nossas conquistas e não é sinal de fraqueza, pois uma grande guerra não é ganha de uma só vez, mas sim à custa de muitas e pequenas vitórias.

domingo, 16 de novembro de 2008

O que é a depressão?


"Estou triste. Tudo o que vejo à minha frente são portas fechadas, não tenho ânimo para nada." Já todos ouvimos estas palavras vindas de alguém ou ditas pela nossa própria boca. Por vezes trata-se de algo superficial, passageiro, outras de algo mais severo, duradouro e de cariz patológico. Trata-se de Depressão. Viver esta experiência marca. Foi por isso que decidi investigar sobre o tema e outros que lhe estão associados de forma a compreender a razão dos meus sentimentos.


A depressão afecta toda a vivência de uma pessoa, muitas vezes a sua vida familiar, profissional e social também sofrem, muitas vezes devido ao estigma que lhe está associado. Para a sociedade em geral, não é concebível que alguém possa estar deprimido: o marido espera que a esposa esteja sempre com um sorriso entusiástico, a mãe espera que o filho se sinta sempre motivado para as suas actividades diárias, o patrão espera que o seu empregado produza o mesmo todos os dias sem excepção, os amigos esperaram que o amigo esteja sempre animado como sempre esteve. Se não se corresponde a estas expectativas, é-se posto de lado, as pessoas chateiam-se e afastam-se. Simplesmente não compreendem.


Afectando todas as pessoas em todas as idades e em todas as camadas sociais, a depressão afecta o humor, a visão sobre a vida, o comportamento e até algumas funções corporais, como o sono ou a alimentação.


Geralmente o primeiro sinal de depressão é uma mudança do comportamento normal, mas nem sempre isso acontece. Há histórias de pessoas a quem é diagnosticada depressão que procuram ajuda porque são obesos ou porque sentem impotência sexual. As observações dizem que somente um número reduzido de pessoas deprimidas procura ajuda. Na verdade, quem está "em baixo" tem dificuldade em acreditar em que algo positivo lhe aconteça, tem um profundo sentimento de desesperança que não lhe permite acreditar que alguém o possa ajudar. Por essa razão a ajuda da família e dos amigos é essencial. Sendo detentores do "estado normal" podem não só aperceber-se da situação mesmo que a pessoa deprimida não o reconheça e levá-lo a procurar ajuda.