domingo, 23 de novembro de 2008

Porque estou sozinho/a e deprimido/a?


"Sábado à noite. Estou sozinha em casa, a casa vazia de vozes, de cores, de odores; a solidão invade todos os espaços, entra-me pela boca, pelas narinas, pelos ouvidos. Tirei o som à televisão, apenas deixei faiscar imagens a preto e branco, cenas fora de contexto de um qualquer programa sem sentido. Para mim não faz sentido passar um Sábado à noite trancada em casa a escrever este blog, não sair para me divertir, não estar acompanhada a "curtir" a noite. Ou FAZ?"
É claro que me sinto triste com a condição em que me encontro neste momento. Mas mais importante que esta situação é o porquê que ela existe. Se não faz sentido, porque não a evitei? Esta é a pergunta que muita gente fará a si própria e por vezes não consegue encontrar resposta. Uma das consequências da depressão é a tendência para o isolamento por factores tão diversos como a baixa auto-estima ou a falta de ânimo. A verdade é que se procura aquilo que é mais fácil e nestas situações por vezes lidar com os "outros" é uma tarefa muito difícil, já não é pera doce termos que lidar com nós próprios. Consciente ou inconscientemente procuramos todos os mecanismos que nos levam a estar sozinhos e os "outros" seguem o seu caminho. Quando nos damos conta eles têm desaparecido, estão ocupados, ou simplesmente já têm outros planos. Para termos algo no presente há que tê-lo preparado no passado, e isso passa-se com tudo na nossa vida. A nossa não disponibilidade para prepararmos o presente que gostaríamos que estivesse a acontecer é que nos colocou nesta situação, apesar de continuamente atribuirmos as culpas à nossa imagem, à nossa timidez, aos outros, ao destino ou simplesmente ao estado da sociedade.
A verdade é que por vezes bastava pouco para que o nosso presente melhorasse. Mas as pessoas deprimidas têm tendência a sonhar com príncipes e princesas encantadas em vez de pessoas de carne e osso e com objectivos e sonhos irrealistas em vez de coisas concretas e realizáveis. Como tal aquilo a que aspiram é-lhes muito mais difícil de alcançar, sentem-se muito mais frustradas por o não conseguirem. Baixar a fasquia é por vezes uma forma de não entrar em depressão, é uma forma de assegurar êxito nas nossas conquistas e não é sinal de fraqueza, pois uma grande guerra não é ganha de uma só vez, mas sim à custa de muitas e pequenas vitórias.

domingo, 16 de novembro de 2008

O que é a depressão?


"Estou triste. Tudo o que vejo à minha frente são portas fechadas, não tenho ânimo para nada." Já todos ouvimos estas palavras vindas de alguém ou ditas pela nossa própria boca. Por vezes trata-se de algo superficial, passageiro, outras de algo mais severo, duradouro e de cariz patológico. Trata-se de Depressão. Viver esta experiência marca. Foi por isso que decidi investigar sobre o tema e outros que lhe estão associados de forma a compreender a razão dos meus sentimentos.


A depressão afecta toda a vivência de uma pessoa, muitas vezes a sua vida familiar, profissional e social também sofrem, muitas vezes devido ao estigma que lhe está associado. Para a sociedade em geral, não é concebível que alguém possa estar deprimido: o marido espera que a esposa esteja sempre com um sorriso entusiástico, a mãe espera que o filho se sinta sempre motivado para as suas actividades diárias, o patrão espera que o seu empregado produza o mesmo todos os dias sem excepção, os amigos esperaram que o amigo esteja sempre animado como sempre esteve. Se não se corresponde a estas expectativas, é-se posto de lado, as pessoas chateiam-se e afastam-se. Simplesmente não compreendem.


Afectando todas as pessoas em todas as idades e em todas as camadas sociais, a depressão afecta o humor, a visão sobre a vida, o comportamento e até algumas funções corporais, como o sono ou a alimentação.


Geralmente o primeiro sinal de depressão é uma mudança do comportamento normal, mas nem sempre isso acontece. Há histórias de pessoas a quem é diagnosticada depressão que procuram ajuda porque são obesos ou porque sentem impotência sexual. As observações dizem que somente um número reduzido de pessoas deprimidas procura ajuda. Na verdade, quem está "em baixo" tem dificuldade em acreditar em que algo positivo lhe aconteça, tem um profundo sentimento de desesperança que não lhe permite acreditar que alguém o possa ajudar. Por essa razão a ajuda da família e dos amigos é essencial. Sendo detentores do "estado normal" podem não só aperceber-se da situação mesmo que a pessoa deprimida não o reconheça e levá-lo a procurar ajuda.