sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

De que temos realmente medo?


Um dos testes que é feito a um recém-nascido para avaliar se se trata de uma criança normal é pegar nela e simular a queda. Se ele se assustar, é porque o é, se não mostrar reacção é porque tem algum problema. Isto quer dizer que o medo é biológico e já nasce connosco. Fomos programados para reagir perante o perigo, como qualquer animal de forma a preservarmos a nossa integridade física. Porém, enquanto seres humanos, vemos os perigos de uma forma muito mais abrangente, ou seja, não nos limitamos a ter medo daquilo que realmente nos ameaça no momento, mas conseguimos prever aquilo que contribui para a concretização desse perigo ou antever o momento em que determinado acontecimento tem probabilidades de ocorrer. Por vezes o nosso medo nada tem a ver com algo de real mas com meras probabilidades. Por exemplo, porque não tememos um assalto apenas quando alguém nos aponta uma arma e nos pede para lhe entregarmos a carteira, mas sim sempre que saímos à noite para zonas escuras e perigosas? Porque sabemos que é provável que aconteçam assaltos nessas horas nesses locais. Se não sairmos de casa não seremos assaltados nessas zonas. Mas então, e se ocorrer um sismo e a casa desabar? Deveremos ter medo de estar em casa também? O nosso medo está proporcionalmente relacionado com a probabilidade da ocorrência de determinado factor que fará perigar a nossa existência ou bem estar físico ou emocional. Isto, é o que geralmente acontece com a maioria das pessoas e pode considerar-se um medo saudável.

Temos medo porque somos perecíveis, porque sentimos dor. Por mais fundo que escavemos na causa última do porquê dos nossos medos, encontramos sempre a nossa existência terrena e a sua ameaça como pano de fundo. O medo é como o travão de um carro, ao lado do acelerador enquanto conduzimos a vida. Seria disparatado - impossível até - imaginar (pelo menos para já) um carro sem travão ou algo que o substitua, da mesma forma que uma viagem numa vida sem medo levaria a despistes ou acidentes graves em que se poderia sair muito magoado.

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