sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Os vários tipos de ansiedade - Correlação com o medo

Apesar de muitas vezes enfiados no mesmo saco, os transtornos psicológicos ligados à ansiedade têm diferenças entre si, quer em termos de sintomas ou mesmo de tratamento. Assim, convém antes de mais perceber quais as principais diferenças.

  • Ataques de Pânico - São episódios de ansiedade extrema de curta duração, com sintomas físicos bem marcados, tais como taquicardia, falta de ar, síncope, tonturas, sudorese.
  • Fobias específicas - medos injustificados e exagerados de algo ou alguma situação em particular. As crises são desencadeadas pela presença do objecto ou situação ou pela sua previsão ou possibilidade de ocorrência.
  • Stress pós-traumático - ocorre na sequência de um acontecimento com uma carga emocional negativa muito intensa (ex. acidentes, guerras, etc). A pessoa vivencia essa situação vezes sem conta, é como se tratasse de uma fotografia impressa na memória factual e emocional que não desaparece com o tempo, como seria normal.
  • Ansiedade generalizada - os sintomas associados à ansiedade comum (não patológica ou normal) encontram-se exacerbados, prolongam-se por muito tempo e perturbam o normal funcionamento da vida do indivíduo, causando marcado sofrimento. O seu objecto é indefinido.


O que pretendo analisar aqui é a relação entre a ansiedade generalizada e o medo irracional. Este tipo de ansiedade parece evoluir de situações de stress intenso e pode ser desencadeado por algum acontecimento stressante, ao qual o indivíduo não se conseguiu adaptar. Há uma correlação mórbida entre os sintomas físicos e o evoluir do quadro. A insegurança típica dos estados ansiosos associada à persistência dos sintomas físicos leva ao desenvolvimento do medo. É certo que se suprimíssemos esta emoção não teríamos ansiedade. É importante verificar aqui a presença de uma outra emoção que é a angústia. Esta última intensifica o sofrimento psicológico. Cria-se portanto um efeito bola de neve, no qual ansiedade gera medo que gera angústia que gera novamente ansiedade e assim por diante. Não se sabe ao certo o que desencadeia o quê, apenas que é impossível dissociá-los.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

A importância do contacto físico

Numa altura em que cada vez mais a internet e o telemóvel substituem os encontros físicos, em que o trabalho e a escola afastam as famílias e em que a televisão as remete ao silêncio, mudou a forma como "contactamos" uns com os outros. O certo é que já há algum tempo isto vinha acontecendo, porém agora isso está-se a verificar de forma massificada e atingindo grupos etários cada vez mais jovens. Muda também, em consequência, a forma como nos contactamos fisicamente.
Há uma razão para que, em quase todas as culturas haja um tipo físico de cumprimento: um aperto de mão, dois beijinhos na cara, esfregar os narizes, até um beijo na boca. Este primeiro contacto aproxima as pessoas, é uma forma de empatia e de identificação, um sinal de paz que premissa algo de agradável ou pelo menos não ofensivo daí para a frente. É uma forma de dizer "venho em paz e espero que também venhas", "sê bem-vindo", "agrada-me ver-te".
Hoje em dia, além desses gestos iniciais - e muitas vezes nem esses - a maioria das pessoas passa grande parte das suas vidas sem mais nenhum contacto físico. Não há um toque, um abraço, um pegar na mão a um amigo, filho ou pai, irmãos... Entre os casais há sexo, muitas vezes consentido mas sem sentido, onde são o ímpeto animal ou o hábito a comandar, a embalar uma relação quase adormecida. O ser humano necessita de contacto. Necessita de um toque, de um abraço que preencha o vazio de afecto que a vida de hoje e o individualismo para que somos empurrados pela ausência de valores, instalaram. Então buscamo-lo em outros lugares: em relações amorosas fortuitas, em massagens, em animais de estimação, em violência... muitas vezes a violência nada mais é que a necessidade de contacto, a par com a de afecto, mesmo quando entre casais onde não existe falta de sexo. É um grito, uma forma de ter de alguma maneira o que não se tem de outra ou se não é capaz de dar.
É claro que isto não é válido para todas as situações, mas o certo é que um abraço entre um pai e um filho, amigos, etc, fortalece relações entre ambos e alimenta-os de conforto; mesmo uma simples palmada no ombro de um desconhecido pode significar, se não mais, que ainda somos suficientemente humanos para sermos dignos de que alguém nos tencione transferir afecto.

domingo, 7 de novembro de 2010

Medo: vale a pena pensar nisto....

Quem já viveu muito, quem venceu na vida ou a quem a vida ensinou muito, deve ser escutado com muita atenção. Buscamos em livros, em médicos, na internet, etc, respostas para as nossas angústias, quando muitas vezes bastava lembrar as frases de algumas dessas pessoas.

Retirado da Wikiquote:
  • "A única coisa da qual devemos ter medo é do próprio medo".
- only thing we have to fear is fear itself
- Franklin D. Roosevelt discurso de posse (4 de Março de 1933)
  • "Tenho mais medo da mediocridade que da morte".
Bob Fosse
  • "Evitar a felicidade com medo que ela acabe é o melhor meio de ser infeliz. Coragem é resistência ao medo, domínio do medo, e não ausência do medo".
Mark Twain
  • "Só erra quem produz. Mas, só produz quem não tem medo de errar. As massas humanas mais perigosas são aquelas em cujas veias foi injetado o veneno do medo. Do medo da mudança".
Octavio Paz
  • "Podemos facilmente perdoar uma criança que tem medo do escuro; a real tragédia da vida é quando os homens têm medo da luz".
Platão
  • " Não é que eu tenha medo da morte. Eu apenas não quero estar lá quando isso acontecer".
Woody Allen
  • "O medo tem alguma utilidade, mas a covardia não. O medo é a maior das doenças, porque paralisa o corpo e a mente. Minha força está na solidão. Não tenho medo nem de chuvas tempestivas, nem de grandes ventanias soltas, pois eu também sou o escuro da noite".
Clarice Lispector
  • "A vida é maravilhosa se não se tem medo dela".
Charles Chaplin
  • " ...mas eu desconfio que a única pessoa livre, realmente livre, é a que não tem medo do ridículo".
Luis Fernando Verissimo
  • "O medo me fascina".
Senna, piloto Fórmula 1, em 1991
  • "O medo faz parte da vida da gente. Algumas pessoas não sabem como enfrentá-lo, outras - acho que estou entre elas - aprendem a conviver com ele e o encaram não como uma coisa negativa, mas como um sentimento de autopreservação".
Senna, em junho 1991
  • "(Quando foi perguntado se tinha medo da morte) Da morte, nunca tive medo. O que não quero é ficar aleijado. Disso sim, tenho um medo que me pelo".
Nelson Piquet, piloto de Fórma 1
  • "À medida que nos libertamos de nossos medos, nossa presença automaticamente liberta outros".
Harriet Rubin, em A Princesa - Maquiavel para Mulheres
  • "Você ganha forças, coragem e confiança, a cada experiência em que você enfrenta o medo. Você tem que fazer exatamente aquilo que acha que não consegue".
Eleanor Roosevelt
  • "Não tenho medo das tempestades porque sei como guiar meu navio".
- I'm not afraid of storms, for I'm learning how to sail my ship.
- "Little women‎" - página 258, Louisa May Alcott - BompaCrazy.com, 1955 - 412 páginas
  • "Quando patinamos no gelo fino nossa segurança está na velocidade".
Ralph Waldo Emerson
  • "No fundo sabemos que o outro lado de todo o medo é a liberdade".
Marilyn Ferguson
  • "Guarde seus medos para você mesmo, mas partilhe sua inspiração com todos".
- Keep your fears to yourself but share your courag e with others.
- Robert Louis Stevenson citado em "The Pennsylvania medical journal‎" - Vol. 10, Página 438, de Medical Society of the State of Pennsylvania - 1907
  • "Não tenho medo do amanhã porque já vi o passado e amo o dia de hoje".
- I am not afraid of tomorrow, for I have seen yesterday and I love today.
- William Allen White citado em "Peabody Journal of Education‎" - Página 88, de George Peabody College for Teachers - Publicado por George Peabody College for Teachers, 1923
  • "De todas as paixões, o medo é aquela que mais debilita o bom senso".
Jean Retz
  • "O medo é o pai da crença".
Olavo Bilac
  • "O que se opõe à fé e à esperança não é tanto a descrença e o ateísmo. Mas o medo e a inquietação."
Leonardo Boff
  • "Ao fim de uma vida preenchida pelo medo, o medo que mais apavora é a ausência de medo".
Zygmunt Bauman
  • "Toda a doença que se manifesta em nós vem do medo, e tudo que é de bom vem do amor."
- All the ill that is in us comes from fear, and all the good from love
- Martin Pippin in the Apple Orchard‎ - Página 195, de Eleanor Farjeon - Publicado por BiblioBazaar, LLC, 2008, ISBN 0554217171, 9780554217178 - 300 páginas
  • "Podemos escolher recuar em direção à segurança ou avançar em direção ao crescimento. A opção pelo crescimento tem que ser feita repetidas vezes. E o medo tem que ser superado a cada momento."
- One can choose to go back toward safety or forward toward growth. Growth must be chosen again and again; fear must be overcome again and again
- The Psychology of Science: A Reconnaissance‎, de Abraham Harold Maslow - Publicado por ReinventingYourself.com, 2004, ISBN 0976040239, 9780976040231
- la lâcheté, c'est de la peur consentie; et le courage n'est souvent que de la peur vaincue
- Nos filles et nos fils: scènes et études de famille‎ - Página 66, de Ernest Legouvé, Gabriel Jean B. Ernest W. Legouvé, Paul Philippoteaux - Publicado por Hetzel, 1878 - 346 páginas
  • "Ser corajoso é estar morto de medo e, mesmo assim, sobrecarregar-se de qualquer forma".
- Courage is being scared to death — but saddling up anyway.
- John Wayne citado em Invasions‎, de Dave Gardner - iUniverse, 2002, ISBN 0595260608, 9780595260607 - 200 páginas
- Liberty means responsibility. That is why most men dread it.
- Man and superman: a comedy and a philosophy - página 273, Bernard Shaw - Brentano's, 1903 - 244 páginas

Se eu tivesse que escolher uma destas frases, escolheria sem dúvida a de Zygmunt Bauman: "Ao fim de uma vida preenchida pelo medo, o medo que mais apavora é a ausência de medo". Será por isto que tantas pessoas vivem uma vida inteira de pleno sofrimento, sabotando as próprias hipóteses de felicidade?


quarta-feira, 3 de novembro de 2010

O desespero

Já há perto de três anos que relato a vários médicos os meus sintomas (ver post "Tensão em Demasia causa Sono"), observando sempre a mesma reacção: um encolher de ombros, ainda que apenas imaginado, traduzindo a sua incapacidade de fazer um diagnóstico correcto. Pergunto a mim mesma se serei única no mundo a tê-los. Normalmente receitam-me qualquer coisa. Qualquer coisa que nem sabem se preciso, apenas receitam qualquer coisa, com a esperança que actue como placebo. Há ainda aqueles que aproveitam a oportunidade para aprender e como tal transformam-me numa cobaia involuntária e sem o saber.
A resposta aos medicamentos pode-nos colocar numa posição muito vulnerável: pelos seus efeitos directos e secundários, pelo facto de provocarem alterações que sugerem diagnósticos nada apetecíveis, pelo simples facto de não nos levarem a lado nenhum e de nos estarem a fazer perder tempo.
Apesar de ser ainda jovem, a maioria dos medicamentos sugeridos estão associados ao tratamento da doença de Parkinson. Isso deixa-me triste, principalmente quando na farmácia me perguntam com ar complacente: "É para si? Ainda é tão jovem..."... Bom, isso também eu digo, apesar de saber que o que me está a ser receitado é apenas uma tentativa de combater os sintomas de algo que ainda não tem nome.
Está a tornar-se muito difícil trabalhar como me encontro. Não consigo conter os bocejos, o espreguiçar constante, a vontade incessante de me movimentar. Entre a demora de solução por parte dos clínicos e o frustrado avançar da minha carreira profissional, o sofrimento faz-me ansiar por respostas. Respostas que ninguém tem, respostas que quem as procura se encontra de repente num labirinto do qual não encontra a saída. Perante tal, meto eu mãos à obra. É para isso que servem a Internet e os livros. Gostava ao menos de encontrar alguém com os mesmos sintomas com quem pudesse trocar ideias. Até lá entrego-me à minha busca solitária. Mesmo que não encontre o que procuro, congratulo-me por tudo o que tenho aprendido durante o percurso.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

A superficialidade da vida quotidiana


Nunca a nossa vida se baseou tanto no princípio “Chiclet”. Assente no consumismo, toda a estrutura social está, como é óbvio, regulada pelo dinheiro. Por muito que os valores da família, amizade, liberdade, estejam no top das sondagens, a verdade é que os trocamos cada vez mais por dinheiro. Precisamos de tão pouco para viver. Contudo, temos uma casa com vários quartos, recheada de móveis e bibelots que nem sequer usamos, peças de roupa que não conseguimos rodar numa estação, etc. A posse tornou-se o mais estimado de todos os valores.

Aquilo que a maioria das pessoas não sabe e as restantes sabem mas não querem saber, é que a propriedade. Tudo aquilo que possuímos exige cuidado e dedicação, protecção, aos quais dedicamos a maioria do nosso tempo. Resta pouco para os amigos, para a família, enfim, para cultivar outros valores. Trata-se de uma prisão sem grades, onde somos simultaneamente presos e carcereiros. Adaptamo-nos a um estilo de vida superficial, virado para as aparências e iludimo-nos com elas; somos o que esperam que sejamos e não nós próprios; alimentamo-nos mais da imagem do que de comida; ajudamos a construir um mundo cada vez mais complexo, convencidos que isso nos facilita a vida. Mas não é bem assim. Estamos a erguer grades, a construir a nossa infelicidade. A nossa liberdade começa quando tomamos consciência que somos capazes de prescindir de tudo o que temos para abraçar outra vida, mais simples e menos dependente. Quando não sentirmos mais a necessidade de “ter”, “possuir”, encontramos verdadeiramente a felicidade. Que bom é poder partir, poder experimentar sensações, poder ser nós próprios! Mas para isso é preciso renunciar a tudo o que nos prende.


Um dia um velho estava numa cela, preso por vagabundagem. Frente a ele, um homem jovem lamentava-se pela falta de liberdade. O velho respondeu com um ar sereno e feliz:


- Quando um homem é verdadeiramente livre, não importa o lugar onde esteja: ele sentir-se-à sempre livre…

terça-feira, 20 de julho de 2010

Ansiedade Generalizada e Medo



No post anterior referi que a ansiedade é um fenómento normal que ocorre com todos nós e que tem como finalidade preparar-nos para enfrentar um perigo ou dificuldade que se avizinha. Mas quando as respostas de ansiedade se manifestam de forma causando sofrimento, deixam de exercer a sua função, passando a ser perturbadoras do funcionamento normal. A ansiedade patológica é elevada, faz o indivíduo ficar inibido e bloquear perante sitauções onde antes agia de forma natural. É característica da ansiedade uma apreensão sobre o futuro, que pode permanecer no tempo quando perigo real desaparece.

O medo e a ansiedade andam de mãos dadas. O medo é uma emoção que tem quase o mesmo propósito da ansiedade: preparar-nos para fugir ou agir de forma defensiva perante uma ameaça ,activando mecanismos no nosso corpo, como o acelerar do batimento cardíaco e a vigilância, por exemplo. Trata-se de uma reacção de alarme, quase imediata; a ansiedadeé dirigida ao futuro. Sabemos que o medo causa ansiedade. E será que a ansiedade causa medo?

A asniedade patológica pode descrever-se como um funcionamento incorrecto do nosso sistema do medo. O transtorno da ansiedade generalizada (TAG) diferencia-se das fobias (medo patológico relativamente a um objecto ou situação específica) dado que não está associada a nada em concreto. Apesar disso, toda a ansiedade tem como pano de fundo o medo.

A Ansiedade pode se manifestar em três níveis: neuroendócrino, visceral e de consciência. O nível neuroendócrino diz respeito aos efeitos da adrenalina, noradrenalina, glucagon, hormônio anti-diurético e cortisol. No plano visceral a Ansiedade corre por conta doSistema Nervoso Autônomo (SNA), o qual reage se excitando o organismo na reação de alarme (sistema simpáticoto) ou relaxando (sistema vagal) nas fase de esgotamento.

Cognitivamente a Ansiedade se manifesta por dois sentimentos desagradáveis:

1- através da consciência das sensações fisiológicas de sudorese, palpitação, inquietação e outros sintomas autossômicos (do sistema nervoso autônomo);

2- através da consciência de estar nervoso ou amedrontado.”

in http://virtualpsy.locaweb.com.br

Quando os factores que desencadeiam a ansiedade se mantêm por muito tempo (avaliação subjectiva), e o esforço adatativo é muito intenso, pode-se entrar na fase de esgotamento, como ilustrado no gráfico acima: trata-se da fakência dos recursos emocionais e fisiológicos, o que leva ao aparecimento de transtornos diversos, orgânicos, psíquicos ou emocionais.

No TAG o objecto do medo é muito vago e difuso. A sensação é intensa, mas não dirigida. Por essa razão, o individuo “procura” um objecto, acumula-os, muda de um para outro com facilidade. O medo vago passa a medo de tudo, a decadência no sentido do esgotamento antevê um cenário horrível e portanto gera ainda mais medo. O indivíduo perde o controlo, rompe com os seus mais íntimos valores, apenas pede ajuda sem conseguir estabelecer um plano, as suas ideias tornam-se obsessivas e desorganizadas… Bom, o melhor é evitar, inverter o sentido da curva do gráfico até que atinja novamente o estado “Óptimo”….

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Ansiedade Generalizada

Definição, caracteríscticas e diagnóstico

A ansiedade consiste na sensação decorrente de intensa excitação do sistema nervoso central face à identificação ou antecipação de algum perigo ou obstáculo potencial.

O Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG) consiste numa preocupação e ansiedade excessiva, tendo por base motivos injustificáveis ou desproporcionais ao grau de ansiedade observado, tendo em conta a frequência, a intensidade e a duração dos sintomas. Estes manifestam-se quase diáriamente, são contínuos e a sua duração é superior a seis meses. Distinguem-se da ansiedade normal e são tão extremos que se tornam difíceis de controlar e afectam a qualidade de vida do sujeito. De notar que a ansiedade só se torna

patogénica quando atinge estes níveis. Até aí ela é uma reacção normal e necessária, com fins adaptativos do indivíduo ao meio ambiente e à sociedade, restringe-se a uma determinada situação e, ainda que a gravidade e duração da situação seja extensa, há uma tendência do indivíduo de se adaptar a ela, diminuindo assim naturalmente o seu grau de desconforto.

Normalmente o tipo de preocupações são bastante normais e vulgares, que vão desde a situação financeira, profissional ou familiar. O foco mais comum destas preocupações costuma estar relacionado com a possibilidade de se adoecer com algo grave ou sofrer algum acidente. A constante atenção e vigilância face a esta possibilidade está também relacionada com o facto de se sentirem impotentes e incapazes de lidar com a situação perante a ocorrencia de tal facto. É frequente o indivíduo sentir inquietação, cansaço fácil, dificuldades de concentração, irritabilidade, tensão muscular e alterações do sono.

Para que estejamos perante o TAG é necessário que sejam afastados o diagnóstico de outros transtornos da ansiedade tais como a fobia social ou o pânico, entre outros, uso de substâncias ou doença física. O autodiagnóstico não é muito fiável, por mais informação que o se tenha sobre o tema, dado que os estados ansiosos alteram a percepção que o indivíduo tem de si mesmo ou do que lhe está a acontecer, comprometendo assim a sua imparcialidade, pelo que o indicado será a avaliação por um profissional de saúde especializado.

As características são (não exaustivas e variáveis de pessoa para pessoa em intensidade e frequência):

- Dificuldade para relaxar ou a sensação de que se está no limite do nervosismo;

- Cansaço fácil;

- Dificuldade de concentração e esquecimentos frequentes;

- Irritabilidade;

- Tensão muscular;

- Taquicardia;

- Espasmos e tremores;

- Hiperpneia (hiperventilação);

- Transtornos no sono (dificuldade para adormecer ou sono insatisfatório);

- Boca seca, pés húmidos, diarréia, náuseas, micção frequente, suor excessivo, sensação de bolo na garganta, etc.

- Desenvolvimento de fobias;

- Humor bastante instável;

- Marcado sofrimento e prejuízo no funcionamento pessoal do indivíduo.

Apesar da presença das características citadas, o diagnóstico é feito também por eliminação de outras causas que geram sintomas semelhantes (de nível físico ou mental), recorrendo por vezes, se necessário, a exames de laboratório.

Estatísticas

O TAG é mais frequente do que se imagina, atingindo cerca de 3 a 5% dos adultos em algum momento durante um ano. É ainda o tipo de transtorno da ansiedade mais comum. A prevalência nas mulheres é quase o dobro do que nos homens. Em termos de faixa etária, ele manifesta-se em qualquer idade, iniciando-se normalmente na infância ou adolescência,

atingindo um pico por volta dos 20, ou pelo contrário em idades mais avançadas embora a o avançar da idade tenda a diminuir as probabilidades de surgirem transtornos deste tipo. Há tendência para os sintomas piorarem após períodos naturais de stress.

O TAG costuma ser crónico, duradouro com pequenos períodos de remissão dos sintomas mas geralmente leva o paciente a sofrer com o estado de ansiedade elevado durante anos.

Tratamento

O primeiro passo para o tratamento do TAG é o indivíduo consciencializar-se de que tem um problema e manifestar interesse em tratar-se.

Os fármacos são o tratamento preferido para o TAG, nomeadamente os ansiolíticos ou tranquilizantes, tais como as benzodiazepinas e a buspirona. O uso de benzodiazepinas a longo prazo pode criar dependências ao contrário da buspirona, contudo as primeiras aliviam os sintomas quase imediatamente enquanto a segunda leva perto de duas semanas a surtir efeito.

Muitas vezes a ansiedade generalizada está associada a conflitos psicológicos subjacentes tais como insegurança ou auto-crítica nestes casos será útil coadjuvar a administração de fármacos com psicoterapia ou terapias cognitivo-comportamentais.

Tendo em conta a natureza dos fármacos citados acima, eles dirigem-se ao alívio específico dos sintomas. As benzodiazepinas promovem a relaxação física e mental, reduzindo assim a actividade nervosa do cérebro. Exemplos de benzodiazepinas: alprazolam, clordiazepóxido, diazepam, flurazepam, lorazepam, oxazepam, temazepam e triazolam, etc. A buspirona não pertence a essa classe de medicamentos. Não se sabe ao certo como actua,mas não provoca sedação nem interage com o álcool. Tem a desvantagem de levar cerca de duas semanas a actuar, sendo por isso recomendado em casos de perturbações da ansiedade de longa duração. Por vezes também são prescritos medicamentos antidepressivos tais como inibidores selectivos da recaptação de serotonina (exemplo: fluoxetina, fluvoxamina, paroxetina, sertralina), inibidores da monoaminooxidase (exemplo: fenelzina, tranilcipromina) e antidepressivos tricíclicos (exemplo: amitriptilina, amoxapina, clomipramina, imipramina, nortriptilina, protriptilina)

Para além do tratamento prescrito pelo especialista, ajuda praticar exercícios como yoga, caminhadas, meditação, enfim, tudo o que relaxe física e mentalmente o indivíduo.

Fontes:

http://www.gigamundo.com/2008/12/19/transtorno-da-ansiedade-generalizada/

http://www.psicosite.com.br/tra/ans/ansgeneralizada.htm

http://www.manualmerck.net/?id=109&cn=956

domingo, 31 de janeiro de 2010

Tensão em demasia causa sono


Desperto para um dia normal. O meu pulso está dentro dos limites que me são próprios. Nada de novo se avizinha. Apenas mais um dia de trabalho sentada à secretária, tentando descortinar em folhas de excel onde se encontra o erro que não se sabe se existe. É monótona a tarefa, é frio o ambiente. As salas individuais estão divididas ao longo de um enorme corredor que desemboca numa outra pouco utilizada, ao lado das casas de banho. A minha é a segunda. Todos são muito educados, todos nos cumprimentamos mutuamente e sempre que nos cruzamos sorrimos. Mas eu não pertenço ali. Apesar das aparências, não deixa de ser uma empresa onde cada um pensa apenas em si, onde cada um tenta fazer o seu trabalho o melhor possível e nem lhe passa pela cabeça perder tempo a ajudar o próximo.
A minha respiração começa a ser demasiado curta e torácica, a tensão acumula-se na nuca, atrás das orelhas e vai-se apoderando de todo o corpo. Mantenho-me quieta, tentando trabalhar. Mas o sono toma conta de mim. Deixo de ver o ecran e depois perco o raciocínio. Adormeço por meio segundo, tempo suficiente para a minha mente ir para outras paragens. Quando regressa, tem que se esforçar por encontrar o raciocínio anterior, para tentar concluir a pesquisa do erro. Mas mal o faz, volto a adormecer. Deixo de estar ali, por meio segundo, depois volto. Mantenho a cabeça erguida, apenas meus olhos denunciam o que está a acontecer: estão parados e baços, não reagem a estímulos. Pestanejo numa tentativa de recuperar a consciência. Mas de cada vez que isto acontece, mais me afasto da minha performance. A produtividade baixa, aumenta a sensação de mal estar. Os meus músculos parecem embebidos de electricidade. Querem movimentar-se, seja de que forma for. Relaxar é palavra que não conhecem. Faço força nas pernas e nos braços, espreguiço-me, bocejo, mas nada é suficiente. Todo o meu corpo, desde a planta dos pés até ao cimo da cabeça sofre do mesmo problema. Mesmo quieta, noto que os meus olhos estão esbugalhados. Os olhos também têm músculos, até esses se querem esticar. Não consigo ter paz.

Chego a casa e tento jantar. Demoro uma eternidade para o preparar. Não consigo raciocinar, a minha cabeça parece inchada, tenho um som estranho a ecoar nela, como se tivesse estado todo o dia exposta a um ruído intenso. Mas o único ruído que ouvi foi o silêncio. Tomo medicamentos, os que me apetecer no momento, pois a minha psiquiatra, como não entende, diz que só consegue ir lá por tentativas. Tentativas, experiências, também eu faço, e não tenho que pagar consultas e ouvir a frustrante e estúpida frase "O que é que quer que eu lhe faça?". Mas os medicamentos não ajudam. 9 mg de bromazepam deixam-me tão desperta como se bebesse um copo de água. Entretanto os meus músculos continuam na mesma, numa contínua excitação ultrapassa a da mente, que parece amorfa, e não me deixam dormir. Passo a noite num estado entre o sono e a vigília, algo que não é nada reparador para enfrentar o dia seguinte.

O sono diurno não é sono normal, é originado pela tensão. A psiquiatra não entende como tal é possível e propõe-me estimulantes. "Beba café!", diz ela. Café já eu bebo, se calhar mais do que devia. A ideia dela não é inédita, eu própria fiz a experiência. Não resultou. "Então dou-lhe calmantes, mas bromazepam 6 nunca, é muito elevado. Que tal alprazolan 0,25?". Esta tipa ou é surda ou parva. Será que não consegue perceber que se 9 mg de bromazepam não me fazem efeito, 0,25 de alprazolam seria placebo? Bom, decididamente tenho que fazer eu as minhas próprias experiências. Não sei mais o quê, estou a atingir os limites da minha paciência.

Bom, por agora vou tentar jantar. Que existe mais para eu tentar? Se alguém tiver alguma ideia, por favor diga, pois eu só sei que tenho que tenho que ficar bem.