terça-feira, 20 de julho de 2010

Ansiedade Generalizada e Medo



No post anterior referi que a ansiedade é um fenómento normal que ocorre com todos nós e que tem como finalidade preparar-nos para enfrentar um perigo ou dificuldade que se avizinha. Mas quando as respostas de ansiedade se manifestam de forma causando sofrimento, deixam de exercer a sua função, passando a ser perturbadoras do funcionamento normal. A ansiedade patológica é elevada, faz o indivíduo ficar inibido e bloquear perante sitauções onde antes agia de forma natural. É característica da ansiedade uma apreensão sobre o futuro, que pode permanecer no tempo quando perigo real desaparece.

O medo e a ansiedade andam de mãos dadas. O medo é uma emoção que tem quase o mesmo propósito da ansiedade: preparar-nos para fugir ou agir de forma defensiva perante uma ameaça ,activando mecanismos no nosso corpo, como o acelerar do batimento cardíaco e a vigilância, por exemplo. Trata-se de uma reacção de alarme, quase imediata; a ansiedadeé dirigida ao futuro. Sabemos que o medo causa ansiedade. E será que a ansiedade causa medo?

A asniedade patológica pode descrever-se como um funcionamento incorrecto do nosso sistema do medo. O transtorno da ansiedade generalizada (TAG) diferencia-se das fobias (medo patológico relativamente a um objecto ou situação específica) dado que não está associada a nada em concreto. Apesar disso, toda a ansiedade tem como pano de fundo o medo.

A Ansiedade pode se manifestar em três níveis: neuroendócrino, visceral e de consciência. O nível neuroendócrino diz respeito aos efeitos da adrenalina, noradrenalina, glucagon, hormônio anti-diurético e cortisol. No plano visceral a Ansiedade corre por conta doSistema Nervoso Autônomo (SNA), o qual reage se excitando o organismo na reação de alarme (sistema simpáticoto) ou relaxando (sistema vagal) nas fase de esgotamento.

Cognitivamente a Ansiedade se manifesta por dois sentimentos desagradáveis:

1- através da consciência das sensações fisiológicas de sudorese, palpitação, inquietação e outros sintomas autossômicos (do sistema nervoso autônomo);

2- através da consciência de estar nervoso ou amedrontado.”

in http://virtualpsy.locaweb.com.br

Quando os factores que desencadeiam a ansiedade se mantêm por muito tempo (avaliação subjectiva), e o esforço adatativo é muito intenso, pode-se entrar na fase de esgotamento, como ilustrado no gráfico acima: trata-se da fakência dos recursos emocionais e fisiológicos, o que leva ao aparecimento de transtornos diversos, orgânicos, psíquicos ou emocionais.

No TAG o objecto do medo é muito vago e difuso. A sensação é intensa, mas não dirigida. Por essa razão, o individuo “procura” um objecto, acumula-os, muda de um para outro com facilidade. O medo vago passa a medo de tudo, a decadência no sentido do esgotamento antevê um cenário horrível e portanto gera ainda mais medo. O indivíduo perde o controlo, rompe com os seus mais íntimos valores, apenas pede ajuda sem conseguir estabelecer um plano, as suas ideias tornam-se obsessivas e desorganizadas… Bom, o melhor é evitar, inverter o sentido da curva do gráfico até que atinja novamente o estado “Óptimo”….

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Ansiedade Generalizada

Definição, caracteríscticas e diagnóstico

A ansiedade consiste na sensação decorrente de intensa excitação do sistema nervoso central face à identificação ou antecipação de algum perigo ou obstáculo potencial.

O Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG) consiste numa preocupação e ansiedade excessiva, tendo por base motivos injustificáveis ou desproporcionais ao grau de ansiedade observado, tendo em conta a frequência, a intensidade e a duração dos sintomas. Estes manifestam-se quase diáriamente, são contínuos e a sua duração é superior a seis meses. Distinguem-se da ansiedade normal e são tão extremos que se tornam difíceis de controlar e afectam a qualidade de vida do sujeito. De notar que a ansiedade só se torna

patogénica quando atinge estes níveis. Até aí ela é uma reacção normal e necessária, com fins adaptativos do indivíduo ao meio ambiente e à sociedade, restringe-se a uma determinada situação e, ainda que a gravidade e duração da situação seja extensa, há uma tendência do indivíduo de se adaptar a ela, diminuindo assim naturalmente o seu grau de desconforto.

Normalmente o tipo de preocupações são bastante normais e vulgares, que vão desde a situação financeira, profissional ou familiar. O foco mais comum destas preocupações costuma estar relacionado com a possibilidade de se adoecer com algo grave ou sofrer algum acidente. A constante atenção e vigilância face a esta possibilidade está também relacionada com o facto de se sentirem impotentes e incapazes de lidar com a situação perante a ocorrencia de tal facto. É frequente o indivíduo sentir inquietação, cansaço fácil, dificuldades de concentração, irritabilidade, tensão muscular e alterações do sono.

Para que estejamos perante o TAG é necessário que sejam afastados o diagnóstico de outros transtornos da ansiedade tais como a fobia social ou o pânico, entre outros, uso de substâncias ou doença física. O autodiagnóstico não é muito fiável, por mais informação que o se tenha sobre o tema, dado que os estados ansiosos alteram a percepção que o indivíduo tem de si mesmo ou do que lhe está a acontecer, comprometendo assim a sua imparcialidade, pelo que o indicado será a avaliação por um profissional de saúde especializado.

As características são (não exaustivas e variáveis de pessoa para pessoa em intensidade e frequência):

- Dificuldade para relaxar ou a sensação de que se está no limite do nervosismo;

- Cansaço fácil;

- Dificuldade de concentração e esquecimentos frequentes;

- Irritabilidade;

- Tensão muscular;

- Taquicardia;

- Espasmos e tremores;

- Hiperpneia (hiperventilação);

- Transtornos no sono (dificuldade para adormecer ou sono insatisfatório);

- Boca seca, pés húmidos, diarréia, náuseas, micção frequente, suor excessivo, sensação de bolo na garganta, etc.

- Desenvolvimento de fobias;

- Humor bastante instável;

- Marcado sofrimento e prejuízo no funcionamento pessoal do indivíduo.

Apesar da presença das características citadas, o diagnóstico é feito também por eliminação de outras causas que geram sintomas semelhantes (de nível físico ou mental), recorrendo por vezes, se necessário, a exames de laboratório.

Estatísticas

O TAG é mais frequente do que se imagina, atingindo cerca de 3 a 5% dos adultos em algum momento durante um ano. É ainda o tipo de transtorno da ansiedade mais comum. A prevalência nas mulheres é quase o dobro do que nos homens. Em termos de faixa etária, ele manifesta-se em qualquer idade, iniciando-se normalmente na infância ou adolescência,

atingindo um pico por volta dos 20, ou pelo contrário em idades mais avançadas embora a o avançar da idade tenda a diminuir as probabilidades de surgirem transtornos deste tipo. Há tendência para os sintomas piorarem após períodos naturais de stress.

O TAG costuma ser crónico, duradouro com pequenos períodos de remissão dos sintomas mas geralmente leva o paciente a sofrer com o estado de ansiedade elevado durante anos.

Tratamento

O primeiro passo para o tratamento do TAG é o indivíduo consciencializar-se de que tem um problema e manifestar interesse em tratar-se.

Os fármacos são o tratamento preferido para o TAG, nomeadamente os ansiolíticos ou tranquilizantes, tais como as benzodiazepinas e a buspirona. O uso de benzodiazepinas a longo prazo pode criar dependências ao contrário da buspirona, contudo as primeiras aliviam os sintomas quase imediatamente enquanto a segunda leva perto de duas semanas a surtir efeito.

Muitas vezes a ansiedade generalizada está associada a conflitos psicológicos subjacentes tais como insegurança ou auto-crítica nestes casos será útil coadjuvar a administração de fármacos com psicoterapia ou terapias cognitivo-comportamentais.

Tendo em conta a natureza dos fármacos citados acima, eles dirigem-se ao alívio específico dos sintomas. As benzodiazepinas promovem a relaxação física e mental, reduzindo assim a actividade nervosa do cérebro. Exemplos de benzodiazepinas: alprazolam, clordiazepóxido, diazepam, flurazepam, lorazepam, oxazepam, temazepam e triazolam, etc. A buspirona não pertence a essa classe de medicamentos. Não se sabe ao certo como actua,mas não provoca sedação nem interage com o álcool. Tem a desvantagem de levar cerca de duas semanas a actuar, sendo por isso recomendado em casos de perturbações da ansiedade de longa duração. Por vezes também são prescritos medicamentos antidepressivos tais como inibidores selectivos da recaptação de serotonina (exemplo: fluoxetina, fluvoxamina, paroxetina, sertralina), inibidores da monoaminooxidase (exemplo: fenelzina, tranilcipromina) e antidepressivos tricíclicos (exemplo: amitriptilina, amoxapina, clomipramina, imipramina, nortriptilina, protriptilina)

Para além do tratamento prescrito pelo especialista, ajuda praticar exercícios como yoga, caminhadas, meditação, enfim, tudo o que relaxe física e mentalmente o indivíduo.

Fontes:

http://www.gigamundo.com/2008/12/19/transtorno-da-ansiedade-generalizada/

http://www.psicosite.com.br/tra/ans/ansgeneralizada.htm

http://www.manualmerck.net/?id=109&cn=956