sábado, 19 de fevereiro de 2011

Ansiedade e conflito emocional subjacente

Nem sempre a ansiedade é uma resposta de carácter adaptativo. Quando não causado por um desiquilibrio hormonal (ex. hipertiroidismo) ou alguma anormalidade química, quando não se consegue identificar a causa primária, pode significar a consequência de um conflito interno. Designa-se conflito o estado psicológico decorrente da situação em que a pessoa é motivada, ao mesmo tempo, para dois comportamentos incompatíveis. É necessário pois fazer uma escolha, tomar uma decisão a favor de apenas um deles, o que não é fácil. Aqui, a razão não é grande ajuda, se se tratar de assuntos pessoais, onde a emoção desajusta a balança da objectividade. Sabe-se também de antemão que a frustração se seguirá ao bloqueio da satisfação do comportamento não escolhido.
Normalmente o que está em jogo é o que se deve em oposição ao que se quer. Quer sejam ditadas pela sociedade, pela religião, pela lei, pela moral ou pelos costumes, os valores que o indivíduo considera correctos e portanto deve seguir, são impostos do exterior; porém, o que ele "quer", "gosta" ou que efectivamente satisfaria as suas reais necessidades não são os mesmos. A obrigatoriedade e/ou emergência de uma escolha, associada ao medo do sofrimento causado pelo desvio dos valores aceites, e a frustração de um desejo insatisfeito, é fonte de ansiedade. Não há aqui uma tentativa de adaptação não conseguida, mas unicamente um stress patológico derivado da luta interior, muitas vezes inconsciente, entre a razão e o coração.

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