sábado, 11 de fevereiro de 2012

Gritos de Silêncio

Por vezes é tão difícil expressar os nossos sentimentos! Principalmente quando somos obrigados a cala-los, quando as emoções se confundem e somos incapazes de as identificar, quando o silêncio e a solidão devoram as nossas vidas. Quando os lábios calam, a alma grita. Um grito ensurdecedor, de raiva, de tristeza, de vazio. A certeza de que ninguém se importa, a certeza de que eu não importo. Um blog que diz tanto do que eu sinto, é lido por anónimos: se algum meu conhecido na vida real ler estas palavras, que diga alguma coisa, que prove que estou errada.


Num país em decadência a nível económico e social, numa incerteza angustiante quanto ao futuro, vivendo com uma camisa de forças chamada estado, tentando contudo manter a cabeça erguida, alugando o meu cérebro dez horas por dia por um preço irrisório, pergunto: qual o objectivo? Para que raio me levanto todas as manhãs para ir trabalhar, para conseguir dinheiro que mal me chega para sobreviver, lutando contra um sistema virado do avesso que insiste em me mandar abaixo? Para que raio cumprir as leis que só visam tapar um buraco que não fui eu que abri, para as quais eu não passo de um mero instrumento? Para que raio tanto sacrifício para chegar ao fim do dia e enfrentar monstros ainda maiores como a solidão e a falta de amor? 


Todo o ser humano é uma península, mas alguns não passam de ilhas desertas.