domingo, 8 de julho de 2012

A Espiral da Procura

Gosto de chamar a este tema "A mulher só e o príncipe encantado", com referência a um livro de Jean-Claude Kaufmann.
Cada pessoa é como é, física e emocionalmente falando. A sua estrutura emocional, variável portanto de indivíduo para indivíduo, faz com que aquilo que os satisfaz varie também. É natural que cada um de nós, desde que temos consciência dos nossos desejos, que procuremos algo que os satisfaça, que nos realize. Contudo, ao longo da vida vamos acumulando ensinamentos, vamos aprendendo a esquecer o nosso lado instintivo. Passam a então a coexistir dois sistemas de valores para cada pessoa: aquele que lhe é intrínseco, e aquele que foi aprendendo ao longo da vida. Muitas vezes não coincidem e por vezes são mesmo contraditórios.
Como é natural, também procuramos parceiros (namorados/as, esposos/as, amantes, etc). O que procuramos é algo mais que físico, é alguém que partilhe os nossos valores, que nos complemente, enfim, a nossa alma gémea como muitos lhe chamam. Muitas vezes erramos, não porque não soubemos escolher, mas porque não nos estávamos a reger pelo nosso sistema de valores intrínseco mas sim pelo aprendido. Mas acontece a todos. É então que vamos também acumulando mágoas, cicatrizes que não desvanecem com o tempo. Ao contrário do que muitas pessoas pensam, a nossa procura não pára, mesmo quando a fazemos parar na prática. O nosso ego continua à procura, refinando cada vez mais os filtros. Continua à espera do príncipe ou da princesa encantada.
A personagem do príncipe ou da princesa encantada refere-se a uma pessoa que não existe, de tão perfeita que terá que ser. Trata-se de alguém inalcansável,que vive apenas na nossa imaginação.
Quando se encontra a nossa alma gémea, a nossa procura pára. Não temos mais necessidade de continuar em plena procura porque já encontramos a pessoa que se enquadra no nosso sistema de valores intrínseco. Finalmente os nossos radares inconscientes descansam. Até lá, mesmo sem saber, entramos numa espiral de procura interminável, pois ela aumenta na medida em que cada vez mais nos apercebemos de que esse príncipe/princesa encantado/a não existe.

Sem comentários: