sexta-feira, 29 de março de 2013

Manipulação Afectiva

Será que a "vítima" é verdadeiramente a vítima? Sempre que vemos alguém a chorar, de aspecto frágil, corremos a socorrê-la. No entanto, outra verdade pode estar escondida perante o comportamento desta suposta "vítima".
As pessoas fisicamente ou emocionalmente frágeis aprendem com a vida tácticas de defesa ao seu alcance. As crianças sabem que quando choram os pais centram nelas a sua atenção, que quando estão doentes os pais são muito mais tolerantes, etc.. Tudo isto são técnicas de manipulação aprendidas e interiorizadas que transportam para a vida adulta. Aqui, tal como em crianças, não podem impor a sua vontade, esbarram com outras pessoas que impõem a sua de alguma forma, sejam os companheiros, patrões, filhos, etc. Há que fazer valer as suas ideias, obter o que se quer, muitas vezes os mais básicos direitos. Os "opositores" nem sempre contrariam esta vontade porque querem activamente limitá-la, mas apenas porque exigem o seu próprio bem estar. Muitas vezes, os conflitos são inevitáveis, o bem estar de uns limita o bem estar de outros. O mais forte, ganha o seu lugar ao sol. Então e o mais fraco? 
O mais fraco tem que lutar pelo seu lugar ao sol. A fórmula que aprendeu na infância resulta aqui também. Apelar à compaixão resulta sempre. As armas? Estar triste, chorar, adoecer, resumindo, sofrer. Se este sofrer é fingido ou real, pouco importa. Por vezes esta manipulação não é consciente, está tão enraizada no subconsciente que a "vítima" sofre mesmo. O outro, muda as suas atitudes por pena. Isso, é o que importa, pois subtilmente, consegue assim impor a sua vontade. 
Não se pense que todo aquele que sofre está a manipular. É difícil saber quando está ou quando não está. A tendência de quem está, consciente ou inconscientemente, é não fazer nada para mudar a situação, por vezes ainda faz por agravá-la. Quem não está luta tenta melhorar a sua condição de forma a eliminar o seu sofrimento, não espera que a sua vontade seja satisfeita para o fazer, muito menos por terem pena dela. Quero recordar aqui que determinados quadros clínicos, como a depressão por exemplo, levam as pessoas a comportar-se como as "vítimas", por isso antes de pensar que alguém o/a está a manipular, avalie bem o contexto.

1 comentário:

®ick disse...

A dor também traz ganhos... Por vezes me pego buscando a dor, porque aprendi pela vida, que há certos afetos que só recebo quando sofro... Aí a manipulação. E a dificuldade de se libertar... Abre-se mão do sofrimento, perde-se também o afeto que se buscava... um jogo complicado...
®ick
http://depressaodrepre.blogspot.com.br/