terça-feira, 28 de maio de 2013

Deus - acreditar ou não

Sem me querer imiscuir em assuntos de religião, não posso contudo deixar de reparar na arrogância dos que afirmam que Deus não existe. Não me cabe a mim, neste blog que pretende para já ter uma abordagem científica, analisar a existência ou não de Deus, nem mesmo defender as minhas próprias crenças. Contudo, o que merece aqui análise é esta atitude de algumas pessoas perante o assunto.
Chocam-me as posições extremas. Mas se a posição extrema de acreditar plenamente abre os seus horizontes perante outras realidades, a de não acreditar fecha-os. Todas as definições de Deus no-Lo apresentam como ser omnisciente, omnipresente, omnipotente. Podemos concluir então que não se trata de um ser de carne e osso como todos nós. Também é assumido por todos que nunca ninguém viu a Deus. Quem diz que Ele não existe argumenta que nunca O viu, que nunca encontrou provas da Sua existência na sua vida, que existem muitas contradições na Bíblia, que a ciência justifica tudo, inclusive a própria razão da crença em Deus, abriga-se nas atitudes maléficas cometidas por indivíduos ou pelas próprias igrejas no passado e no presente. 
De facto, é caso para dizer, cada um sabe de si. No entanto há aqui algo que me deixa intrigada: muitas destas pessoas também não acreditam na validade permanente das leis da física! Isto é uma contradição! As leis da física, como sabemos, podem deixar de ser verdadeiras quando novas descobertas científicas vêm abalar as teorias anteriormente entendidas como verdadeiras, como é o caso da teoria geocêntrica que foi substituída pela heliocêntrica. Perante qualquer lei física, existe então a dúvida da sua veracidade. Como se pode então concluir e afirmar tão peremptoriamente a inexistência de Deus, quando nem sequer existem mecanismos científicos que o possam confirmar? Os argumentos que os não crentes utilizam, no seu conjunto, remetem-nos para duas características da sua personalidade: teimosia e arrogância. Teimosia, porque continuam no mesmo registo, recusando-se a procurar a verdade, seja ela qual for; arrogância, porque não conseguem aceitar outros pontos de vista, o seu universo está fechado a novos conceitos e ideias que possam ultrapassa-los em grandeza. 
O ser humano, por muito inteligente que seja, é super-limitado. Estamos confinados a um corpo, só vemos o que os nossos olhos nos permitem ver, só ouvimos o que os nossos ouvidos nos permitem ouvir, etc. No fundo, estamos condenados pela nossa biologia a ter acesso apenas a uma pequena percentagem de sensações. Do mesmo modo as nossas memórias, o nosso raciocínio, a nossa consciência, não passam de sucessões de impulsos magnéticos e registos armazenados em suportes físicos. Então, de tão limitados que somos, como poderemos ter a pretensão de conseguir deduzir da existência ou não de Deus, que não é uma entidade física?
Sabemos que cada ser humano não passa de um átomo na dimensão do universo. Perante a imensidão de Deus, tal como é definido e aceite pelos crentes, não passamos de quarks. Será que um quark, se tivesse consciência como nós, teria noção de que existira mais do que o átomo a que pertence???