quarta-feira, 5 de março de 2014

Sabedoria da felicidade

*Imagem retirada do site http://viverplenitude.blogspot.pt/
A sabedoria não é um acumulado de estudos académicos; não mais sábio aquele que sabe todas as leis, aquele que é um excelente médico ou um excelente matemático, do que aquela dona de casa que nunca foi à escola ou aquele operador fabril que todos os dias executa a mesma tarefa. A sabedoria não se mede pelo número de livros que se leu ou pela complexidade dos cálculos que se executa. O verdadeiro sábio é aquele que sabe como ser feliz. É aquele que retirou de tudo o que leu, que viu, que ouviu, que observou, o melhor ensinamento, com vista a alcançar a plenitude da felicidade. 
De nada adianta ter todos os conhecimentos do mundo e ser infeliz. Não é a felicidade aquilo que procuramos nesta vida? Por vezes ouço pessoas que atingiram o topo das suas carreiras, que parecem saber tanto quanto uma enciclopédia, dizer que se sentem tristes, insatisfeitas. Por outro lado, ouço pessoas que nem ler sabem, falar da sua felicidade com um sorriso nos lábios.
As fontes da sabedoria podem ser muito variadas. Há os livros que nos ajudam, como por exemplo os de auto-estima, os psicólogos que nos aconselham, etc. Mas a lição mais importante vem da experiência e da observação. A experiência ensina-nos o que devemos e o que não devemos fazer, enfim, indica-nos o caminho, quanto mais não seja através do processo erro-correcção; a observação ensina-nos a distinguir o bem do mal, o certo do errado. 
Poderíamos então concluir que saberá mais quem mais velho for. Mas não é bem assim, a experiência não é o que nos acontece mas o que fazemos com o que nos acontece. Não adianta viver as coisas, é preciso aprender com a nossa vivência. 
Quem aprende? Aprende aquele que é humilde o suficiente para assumir que não sabe; aquele que tem abertura suficiente para abarcar novos valores, novas formas de ver o mundo, novas experiências; aquele que se consegue colocar no lugar dos outros, ver a vida por outros olhos; aquele que se permite sonhar, não parar de procurar; aquele que escuta e que observa. 
Não existe uma definição do que é certo. Encontramos desde a antiguidade muitos exemplos de sabedoria: os filósofos antigos, a Bíblia, tradições, ditos populares, etc. Eu diria que todos estão certos, na medida em que todos contribuem com alguma coisa para nos ajudar a encontrar a felicidade. Temos que filtrar tudo, adequar tudo à nossa época e à nossa realidade. Muitos ensinamentos parecer-nos-hão contraditórios, como por exemplo quando a Bíblia nos diz "amai os vossos inimigos" e as leis da justiça nos diz que podemos processar quem nos faz mal. Qual o correcto? Bom, cada qual saberá o que é melhor para si. Não deverá andar por aí impune aquele que comete um crime, mas sabemos que se lhe perdoarmos adquirimos uma paz interior que nos trará alegria maior que vermos essa pessoa na prisão. Algumas tradições como por exemplo a chinesa dizem-nos que é normal comer cão, enquanto para um europeu isso não é aceitável. Existem culturas em que a vida privada é um mito, enquanto por exemplo aqui na Europa prezamos muito essa faceta. Bom, não importa quão diferentes possam ser, o que importa é que cada uma tem qualquer coisa para nos ensinar. Por exemplo, deve haver uma razão para os chineses comerem cão. Falta de comida no passado, por exemplo. A lição que aprendi com eles foi que antes de julgar, devemos ver as coisas pelos olhos dos outros: como é que os chineses olham para os cães? Porque os comem? O que sentem em relação a isso? E o que faria eu se fosse chinesa? E o que pensam os chineses dos alimentos que nós comemos?
A forma mais eficiente de alcançar a felicidade é desenvolvendo a nossa auto-estima, a nossa relação com o mundo que nos rodeia, com os outros, com o universo. Tudo o que aprendemos que não nos ajude nisto, não tem muita utilidade. Porque no fundo, o que todos queremos é ser felizes, mais nada.

3 comentários:

Nathalia Gomes disse...

Tem um tempinho que leio seu blog, mas hoje tenho que dizer... Tô me sentindo em casa! Amo o jeito que você escreve!

Ivana disse...

Obrigado :)

Anónimo disse...
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