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sábado, 7 de fevereiro de 2026

Pré-demência e transtornos psicológicos sem diagnóstico - A zona cinzenta

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 É uma altura deveras sombria, aquele intermeio entre o estar aceitavelmente bem e o estar consideravelmente mal. Chamo-lhe a zona cinzenta, pois nada é claro, as avaliações são contraditórias e por isso tomar uma ação torna-se muito complicado. É o caso das demências ou outras doenças do foro psicológico ou neurológico de carácter progressivo.

Pessoas saudáveis, ativas, sem qualquer patologia começam lentamente a apresentar comportamentos incoerentes ou obsessivos, muitas vezes coincidindo com o avançar da idade. Por essa mesma razão, muitas vezes são entendidos como sintomas "normais" da velhice. Quando esses comportamentos tendem a prejudicar terceiros, são vistos apenas como maldade pura. 

É dito com demasiada frequência pelos médicos que se trata de um normal declínio das capacidades intelectuais, que os familiares e outras pessoas ao seu redor têm que ter paciência. E este "diagnóstico" prolonga-se por todo o período que antecede um episódio que pela sua gravidade torna inequívoco um diagnóstico muito mais grave. 

Também dificulta o diagnóstico quando estas pessoas são socialmente ativas, fazem a sua vida autonomamente sem qualquer dificuldade aparente, inclusive a gestão do património pessoal ou a organização da sua agenda. Contudo, falhas subvalorizadas revelam que algo não está bem. E muitas vezes essas "falhas" são algo como não querer tomar a medicação alegando que lhe faz mal ao coração, por exemplo, ou começar a implicar que um amigo o está a atraiçoar pelas costas, porque viu algo ou lhe contaram alguma coisa sobre ele. O que parece perfeitamente normal, acontece a qualquer um, pode não passar de imaginação nestes casos, porém a pessoa ainda tem a capacidade de argumentar e justificar de forma lógica. O agravar destas situações passa na maior parte das vezes despercebido às pessoas ao seu redor, no entanto esta percepção distorcida da realidade leva a ações prejudiciais quer para a própria pessoa quer para terceiros. 

E é normalmente nesta fase que a família atua. Quem está mais próximo começa a perceber que algo não está bem. Consulta médicos, não vêm nada de especial. A situação piora, procuram ajuda em instituições, em advogados, em tribunais. Os discursos são coerentes, a memória está quase intacta, todos os recursos são negados. Mas especialmente para a família a situação torna-se muito dolorosa, leva a um mal-estar que afeta todos os membros da família, que se sentem impotentes e que passam a sofrer de ansiedade, depressão, tristeza e mina toda a estrutura da vida daquela família. 

Estas famílias chegam muitas vezes aos limites da sua capacidade, quer física quer psicológica, entram em esgotamentos, perdem empregos, têm declínio de notas na escola, começam a padecer de doenças causadas pela ansiedade, etc. Impotentes, frustrados, é como se sentem. 

Normalmente a reviravolta se dá quando algo de muito grave acontece e leva a que seja possível declarar um estado de incapacidade, dando poder à família para agir. Mas muitas vezes já é tarde de mais, já há demasiados estragos feitos. Esta é a fase em que acaba a zona cinzenta. A sensação de alívio por parte das famílias é maior que a tristeza de haver um diagnóstico confirmado de uma situação clínica grave.

Nas fases antecedentes as famílias não têm qualquer ajuda, estão por conta própria, descredibilizadas por todos à sua volta.

Por todas estas pessoas, acho urgente criar apoios para poderem atravessar sem danos esta zona cinzenta.



sexta-feira, 28 de agosto de 2020

Porque ajo de forma auto-destrutiva quando quero ter sucesso?

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Procuro perceber a toda a hora quais são os gatilhos que desencadeiam certas emoções que conduzem à destruição, como a vontade de gritar com as pessoas por tudo e por nada, de desistir de qualquer empreendimento que tenho em mãos, ou a simples inação pertante tarefas que certamente aumentariam a minha produtividade e bem estar. O que é que está por trás e os suas consequências, mas também o que faz com que o que essas consequências se manifestem é o que preciso urgentemente entender para travar este tipo de comportamentos destrutivos e começar um ciclo em que sou eu que controlo conscientemente as minhas acções. 
Às vezes penso que o problema está na minha incompetência em lidar com os resultados de certas acções positivas. Ou poderá ser que determinados gatilhos me façam reviver algo muito negativo que está recalcado no inconsciente e me causou um sofrimento muito muito grande. E perante essa emoção causada por esse reviver, a ansiedade, o desânimo, a impaciência, a raiva, o mau humor, etc.. tomam conta de mim como consequência. Então há aqui uma emoção desconhecida mas de singular importância (e gravidade): a amoção "reviver". Não sei se existe algum nome científico para ela, eu vou-lhe chamar assim.  
Será isto que me faz agir da forma que ajo? Será que ajo assim como forma de sabotar o meu próprio sucesso? Eu cheguei à conclusão que as duas coisas estão relacionadas. Mas estou a tentar perceber como. É como se aquele "reviver" inconscientemente me tirasse toda a vontade de ter sucesso, talvez porque é essa a emoção associada ao que "está por trás", trancada no inconsciente, e que o gatilho faz reviver. 
É importante perceber isto. É um passo gigante na conquista do auto-controlo e no combate à frustração. É imperativo perceber como este processo funciona quais os gatilhos. Tenho a certeza que quando o conseguir, será muito mais fácil controlar-me e conseguir fazer o que o meu consciente me diz para fazer, independentemente de conseguir ou não decifrar o que está recalcado no inconsciente e que me faz agir de forma negativa. Se calhar, até seu o que lá está. Mas se o diagnóstico é importante, não serve para nada sem um procedimento que leve à cura.

terça-feira, 13 de maio de 2014

Diagnóstico das doenças mentais



Pegando na publicação no forúm do Viver com Depressão (ver aqui), relativamente à problemática que a figura ilustra, Julgo haver pelo menos duas variáveis envolvidas: recursos (tempo, dinheiro, conhecimentos, etc...) e ideias pre-concebidas. 

Na visita de uma pessoa a um profissional de saúde mental, há por parte deste último uma ideia já tomada da direcção que o diagnóstico tomará, ou seja, este pressupõe à partida que se o paciente o consulta É porque sofre de patologia do foro mental. Além do mais, não é necessário muito esforço para conseguir enquadrar alguns aspectos do comportamento humano ou dos seus sentimentos em alguma doença deste foro, ainda que na sua forma mais ligeira. Estes factos predispõem o terapeuta a sobrevalorizar e direccionar a sua análise para a busca de sintomas psicológicos ou neurológicos.
Com esta perspectiva, depara-se com a componente "recursos". Por exemplo, o tempo médio para uma consulta de psicologia ronda os 50 minutos no máximo, mas psiquiatria e neurologia, já é com sorte que se consiga estar no consultório 30 minutos. Partindo do princípio que paciente e médico não se conhecem, parece-me extremamente pouco para conseguir fazer um diagnóstico adequado. Como tempo é dinheiro, e principalmente quando ele não abunda, por vezes as visitas acontecem com intervalos extremamente longos.

Se a direcção do diagnóstico já estava tomada como expliquei atrás, é imperativo por parte do médico tomar uma decisão quanto ao diagnóstico preciso, ou seja, qual a doença específica de que supostamente o paciente padece. Para tal baseia-se na descrição oral do doente e na análise do seu comportamento no consultório.
De facto, esta prática comum parece demasiado limitativa, ao não avaliar a pessoa no seu todo mas apenas na sua componente mental. Muitos sintomas são comuns em doenças mentais e físicas, como por exemplo a dor no peito. Ao ignorar (na medida em que não se direcciona a atenção para tal) a parte física, corre-se o risco de fazer um diagnóstico errado. Na medida em que o diagnóstico de uma enfermidade física se baseia em factos objectivos e passíveis de comprovar através de exames e outros métodos complementares, parece-me que fará sentido que se descartem primeiro qualquer hipótese de se tratar de um problema físico, antes de começar a entrar no foro mental.
Não são todos os profissionais que agem assim, contudo muitos há que agem conforme o descrito acima. O que é lamentável.



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  Águas passadas não movem moinhos, e não adianta chorar sobre o leite derramado. Todos nós ouvimos estes provérbios vezes sem conta. Mas se...

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