
Um aspecto extremamente importante a saber sobre o medo é que ele se refere sempre ao futuro. Não há medo no presente, ele é sempre antecipatório de algo ruim que poderá acontecer. Trata-se de representações mentais de potenciais acontecimentos aos quais se associam de imediato emoções intensas, muitas vezes até desajustadas. Estes pensamentos desencadeiam reacções físicas proporcionais, como se estivesse a acontecer naquele momento.
O pânico é o nível mais alto da ansiedade. Um artigo da Universidade de Londres publicado na revista "Science" revela que "durante um episódio de extrema ansiedade e pânico, a actividade do cérebro move.se do córtex pré-frontal para o periaquedutal, ou seja, da parte da frente para a parte do cérebro intermediário. Há um fluxo maior de sangue no sector do cérebro que está mais activo. A parte da frente do cérebro abriga a sua capacidade de raciocínio e tomada de decisão. Já o cérebro intermediário é onde se localizam os mecanismos de sobrevivência, como a luta ou fuga" (in http://www.sempanico.com/).
No auge da ansiedade ficam bloqueadas as funções ligadas ao raciocínio, o que limita ainda mais a compreensão do que está acontecendo. Há uma desadequação de emoções em relação ao perigo real ou potencial, pois que este ainda não se verificou, trata-se de uma antecipação mental de um (possível) momento futuro. Parece contudo indissociável do ser humano o viver em função do futuro ou do passado e não do presente (atenção que daqui a um segundo é futuro, embora muito próximo, nunca é presente). A imaginação é o segundo factor que permite gerar ansiedade: ela não se verificaria se não "visualizassemos" em nossa mente o que achamos que seguramente irá acontecer, acrescentando-lhe a carga emocional correspondente.
Imaginar é sentir, antecipar é sofrer antes do tempo. Viver o presente com as emoções adequadas aos acontecimentos presentes pode ser um remédio para nos livrarmos dos ataques de pânico e ansiedade extrema.