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Pessoas saudáveis, ativas, sem qualquer patologia começam lentamente a apresentar comportamentos incoerentes ou obsessivos, muitas vezes coincidindo com o avançar da idade. Por essa mesma razão, muitas vezes são entendidos como sintomas "normais" da velhice. Quando esses comportamentos tendem a prejudicar terceiros, são vistos apenas como maldade pura.
É dito com demasiada frequência pelos médicos que se trata de um normal declínio das capacidades intelectuais, que os familiares e outras pessoas ao seu redor têm que ter paciência. E este "diagnóstico" prolonga-se por todo o período que antecede um episódio que pela sua gravidade torna inequívoco um diagnóstico muito mais grave.
Também dificulta o diagnóstico quando estas pessoas são socialmente ativas, fazem a sua vida autonomamente sem qualquer dificuldade aparente, inclusive a gestão do património pessoal ou a organização da sua agenda. Contudo, falhas subvalorizadas revelam que algo não está bem. E muitas vezes essas "falhas" são algo como não querer tomar a medicação alegando que lhe faz mal ao coração, por exemplo, ou começar a implicar que um amigo o está a atraiçoar pelas costas, porque viu algo ou lhe contaram alguma coisa sobre ele. O que parece perfeitamente normal, acontece a qualquer um, pode não passar de imaginação nestes casos, porém a pessoa ainda tem a capacidade de argumentar e justificar de forma lógica. O agravar destas situações passa na maior parte das vezes despercebido às pessoas ao seu redor, no entanto esta percepção distorcida da realidade leva a ações prejudiciais quer para a própria pessoa quer para terceiros.
E é normalmente nesta fase que a família atua. Quem está mais próximo começa a perceber que algo não está bem. Consulta médicos, não vêm nada de especial. A situação piora, procuram ajuda em instituições, em advogados, em tribunais. Os discursos são coerentes, a memória está quase intacta, todos os recursos são negados. Mas especialmente para a família a situação torna-se muito dolorosa, leva a um mal-estar que afeta todos os membros da família, que se sentem impotentes e que passam a sofrer de ansiedade, depressão, tristeza e mina toda a estrutura da vida daquela família.
Estas famílias chegam muitas vezes aos limites da sua capacidade, quer física quer psicológica, entram em esgotamentos, perdem empregos, têm declínio de notas na escola, começam a padecer de doenças causadas pela ansiedade, etc. Impotentes, frustrados, é como se sentem.
Normalmente a reviravolta se dá quando algo de muito grave acontece e leva a que seja possível declarar um estado de incapacidade, dando poder à família para agir. Mas muitas vezes já é tarde de mais, já há demasiados estragos feitos. Esta é a fase em que acaba a zona cinzenta. A sensação de alívio por parte das famílias é maior que a tristeza de haver um diagnóstico confirmado de uma situação clínica grave.
Nas fases antecedentes as famílias não têm qualquer ajuda, estão por conta própria, descredibilizadas por todos à sua volta.
Por todas estas pessoas, acho urgente criar apoios para poderem atravessar sem danos esta zona cinzenta.




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